2 de abr. de 2012

A importância da fantasia

Quem você gostaria de ser se pudesse escolher? Faça essa pergunta a uma criança e mil respostas diferentes virão à tona. Os meninos podem escolher o Super-Homem, o Batman ou então, quem sabe, o Homem-Aranha. Já as meninas querem ser princesas, fadas, modelos, cantoras, atrizes, estrelas. Mas, no fim das contas, o que todo mundo quer é brincar… de soltar a imaginação.
É brincando de "faz de conta" que as crianças aprendem o que é a vida: experimentam sensações, realizam desejos, lidam com frustrações, enfim, se familiarizam com o dia a dia. "Essas brincadeiras são ensaios para o futuro. Isto é, através do ‘faz de conta', a criança treina papéis que vai desempenhar quando adulta e pode até inventar histórias melhores para os enredos injustos que a vida cria", explica a psicóloga Lídia Aratangy.
Que mãe ou pai nunca pegou o filho dirigindo um carro imaginário ou a filha fazendo comidinha, desfilando no tapete que virou passarela e até mesmo indo ao shopping montado dentro do próprio quarto e gastando fortunas de ‘dinheiro imaginário'?
Fantasias. Elas são extremamente importantes na vida dos pequenos. "Fantasiar é fundamental, porque ativa a área da criatividade no cérebro da criança, fazendo-a testar seus limites, encontrar saídas para problemas e descobrir seu potencial. Cria-se audácia para enfrentar o novo", explica a psicóloga infantil Suzy Camacho, autora do livro "Guia prático dos pais" (Editora Paulinas).
E nada mais saudável para a autoestima de uma criança! Quer coisa melhor para um menino do que se sentir o herói que derrota o monstro da história ou o piloto que vence a corrida? Para as meninas, talvez nada supere a sensação de se sentir a princesa mais bonita do reino ou a fadinha com poderes mágicos, capaz de voar e de transformar todos os desejos em realidade. Até para nós, adultos, é uma delícia imaginar tudo isso, não é mesmo?
"Fadas e princesas são despertadas nas meninas pelos próprios desejos delas. Esses seres dos contos de fadas nos chamam a atenção desde cedo porque queremos ter superpoderes, queremos ser encontradas pelo nosso príncipe, queremos ser belas, cobiçadas, queridas. Isso tudo faz parte do que, em psicologia, nós chamamos de ‘inconsciente coletivo'. Fadas e princesas estão aí para suprirem desejos inconscientes das meninas", explica Suzy Camacho.
De acordo com a psicóloga Lídia Aratangy, personagens como essas podem compensar a sensação de ser desajeitada ou inadequada tão presentes no cotidiano das crianças. "É mais ou menos o que acontece com a moça da periferia que, no carnaval, é a rainha da festa ao se apresentar como porta-bandeira da sua escola de samba", compara Lídia.
E só tem um brinquedo no mundo capaz de espelhar todos os anseios de uma - e de várias - garotinhas: a boneca Barbie. Aos olhos de uma menina, ela não é malvada, nem boazinha. "Ela é uma tela para a projeção de desejos e ansiedades", explica a psicóloga Lídia Aratangy. Suzy Camacho completa: "A Barbie representa o mundo feminino, algo desse universo que a menina quer vir a ser".
Coleção após coleção, a Barbie traz com ela um mundo próprio, com roupas, acessórios, mas também amigos e família. É como se boneca fosse, ela mesma, mais uma personagem. A diferença é que quem dita o que a Barbie vai ser é justamente quem brinca com ela. Nas mãos de uma menina, ela é princesa. Nas mãos de outra, ela é fada, médica, heroína, veterinária, professora, namorada, a amiga alegre e divertida. Um verdadeiro modelo de mulher.
Então, não fique de fora da história. Estimule seus filhos a soltarem a imaginação e entre você também na brincadeira. Aventure-se junto com eles! "Fantasiar é importante - na hora certa, é claro, e não sempre - porque dá esperança, abre a cabeça para o novo. Como você acha que surgiram os grandes inventores? Provavelmente eles brincaram usando muito a imaginação!", finaliza a psicóloga Suzy Camacho.

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